Para muitas mulheres, a perimenopausa chega de forma silenciosa. 

 

Não é um evento abrupto, mas uma transição progressiva e lenta, marcada por mudanças que nem sempre são visíveis no espelho. Justamente por isso, costumam ser subestimadas.    
 

Entre essas transformações estão alterações profundas no seu metabolismo, na sua composição corporal e no seu risco cardiovascular, que passam a acompanhar a mulher a partir dessa fase da vida.   
 

Mais do que lidar com sintomas pontuais, falar sobre menopausa é falar de saúde a longo prazo. E a ciência brasileira tem deixado isso cada vez mais claro.   
 

Diante de tudo isso, você já percebeu como o estilo de vida tem um papel central na sua saúde e na sua qualidade de vida? Agora, vamos entender, com base na ciência, como essas escolhas impactam o seu bem-estar. 

O que diz a ciência sobre menopausa e metabolismo?

Segundo a Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a menopausa representa um momento de inflexão fisiológica importante. A redução dos níveis de estrogênio está associada a mudanças no perfil metabólico, no acúmulo de gordura corporal — especialmente na região abdominal — e no aumento do risco cardiovascular¹.   
 

Essas alterações não acontecem de forma isolada. Elas progridem juntas e impactam diretamente o equilíbrio energético do organismo, a sensibilidade à insulina e a forma como o corpo passa a utilizar seus tecidos, incluindo o músculo esquelético¹.

E se ganhar massa muscular fosse a chave para a sua saúde e o controle do peso? 

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Do ponto de vista científico, a manutenção de massa muscular saudável e adequada é fundamental para o funcionamento do organismo². No entanto, por muito tempo, a importância da musculatura para a saúde da mulher foi subestimada.    
 

Ao longo do tempo, padrões estéticos muitas vezes restritivos e idealizados foram amplamente valorizados. No entanto, qualidade de vida vai além da aparência, embora a imagem corporal também influencie a forma como nos percebemos e nos sentimos.    
 

Durante a transição menopausal ocorrem várias alterações metabólicas que afetam o peso corporal, a distribuição do tecido adiposo e o gasto energético1. É nesse contexto que entra a importância do treinamento com pesos em programas de condicionamento físico, para estimular o aumento da massa muscular, que eleva o gasto energético de repouso2.

A ciência comprova: nunca é tarde demais para recomeçar

A perda ou o não desenvolvimento de massa muscular é um dos efeitos menos discutidos da menopausa, mas um dos mais relevantes do ponto de vista clínico. O músculo não é apenas responsável pela força ou mobilidade: ele é um dos principais tecidos metabolicamente ativos do corpo².   
 

Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte demonstrou que mulheres pós-menopausa submetidas a um programa estruturado de treinamento com pesos apresentaram aumento significativo de massa muscular magra (cerca de 2 kg após 16 semanas) enquanto o grupo controle não apresentou mudanças relevantes².   
 

Ou seja, a sua menopausa não te impede de conseguir novas adaptações positivas no corpo, desde que haja estímulos adequados — ou seja, frequência e equilíbrio.

Estilo de vida deve ser assunto de consulta médica, não só pessoal

A FEBRASGO é clara ao afirmar que intervenções no estilo de vida não são complementares, mas fundamentais no cuidado da mulher no climatério e pós-menopausa¹. Atividade física regular — com destaque para o treinamento resistido — se consolida como uma estratégia central para a redução de riscos cardiovasculares e metabólicos¹.    
 

No estudo brasileiro mencionado anteriormente, o grupo que praticou treinamento de força apresentou aumento de aproximadamente 8,4% no gasto energético de repouso, enquanto o grupo controle teve redução desse gasto².   
 

Portanto, exercício não pode ser uma escolha ou um hobby, ele atua diretamente sobre mecanismos fisiológicos que influenciam a sua saúde.

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Na prática, isso se traduz em benefícios, como2:

  • maior gasto calórico diário;
  • melhor equilíbrio entre consumo e uso de energia;
  • apoio ao controle do peso ao longo do tempo.

Ou seja, manter ou recuperar massa muscular ajuda o corpo a “gastar melhor” a energia, que é algo especialmente importante em uma fase em que o metabolismo tende a desacelerar.

Nutrição: a base para tudo que você precisa para recuperar seu brilho

Idealmente, as necessidades nutricionais para criar massa muscular seriam totalmente supridas pela alimentação. No entanto, a própria diretriz da FEBRASGO reconhece que, ao longo do envelhecimento, nem sempre isso é possível apenas com a dieta, seja por mudanças no apetite, na absorção de nutrientes ou nas demandas do organismo¹.   
 

Por isso, a suplementação alimentar pode ser considerada quando houver recomendação profissional, como parte de uma estratégia individualizada de cuidado. O objetivo não é substituir a alimentação, mas complementá-la quando necessário, apoiando a manutenção da massa muscular, o metabolismo energético e a saúde global da mulher madura.   
 

A decisão sobre suplementação deve sempre ser feita com acompanhamento de profissionais de saúde, respeitando as necessidades específicas de cada mulher¹.

Referências (formato ABNT)

 

¹ FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Brazilian Guideline on Menopausal Cardiovascular Health (EN). Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/diretrizes/item/brazilian-guideline-on-menopausal-cardiovascular-health-en

. Acesso em: 2026.   
 

² TREVISAN, Mara Cléia; BURINI, Roberto Carlos. Metabolismo de repouso de mulheres pós-menopausadas submetidas a programa de treinamento com pesos (hipertrofia). Rev Bras Med Esporte, São Paulo, v.13, n.2, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/WTYL7pfdPftdm4dWYbnFjzS/?format=html&lang=pt

. Acesso em: 2026.

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